AMALAYA | A DOR DA CONEXÃO!
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A DOR DA CONEXÃO!

Parece que chegou o momento de vivermos uma experiência humana inédita pelo que conhecemos dos últimos dois mil anos de história da humanidade.

Essa experiência pode ser chamada de conexão e vínculo, onde poderemos criar uma relação emocional com outros seres humanos, sem que seja permeada pelas instituições.

Estou chamando de instituição todo o lugar, título ou referência que ocupamos. Instituição mãe/pai/filha(o), instituição amigo(a), instituição profissão, instituição cultural, econômica ou social. Até então nos relacionamos através das mascaras que assumimos durante nosso desenvolvimento e isso tem nos protegido do vinculo.

A conveniência da relação institucional é que não precisamos sentir o que o outro sente, podemos ajudar, julgar, ensinar o outro a partir de analise, de teorias, de crenças, de dogmas, e chamarmos isso de compaixão.

Quando temos a oportunidade de naturalmente nos conectarmos e nos vincularmos emocionalmente, logo arrumamos um modo de escaparmos desse lugar, pois pode ser muito dolorido.

Essa dor vem por revelar a desconexão com nossa própria força existencial, nossa potência, nossa intimidade, nossa essência, ou qualquer outro nome que prefira dar a uma pulsão de vida que nos faz existir primordialmente.

Peço licença para compartilhar uma experiência pessoal de uma dor vincular.

Por sorte, eu sempre tive uma experiência positiva na relação homem/mulher. Nunca presenciei uma briga entre meus pais, nunca vivi uma relação abusiva com companheiros, não passei pela experiência de desqualificação no trabalho, e por ai a fora. Sendo assim sempre tive amigos queridos e muita admiração pelo mundo masculino.

Recentemente comecei a enxergar a brutalidade patriarcal e a covardia do poder masculino.

Comecei a sentir um grande ressentimento pelas atitudes abusivas dos homens sobre suas mulheres, seus filhos, suas funcionarias.

Senti uma dor que não ressoava na minha biografia.

Então percebi que tinha pela primeira vez estabelecido uma conexão e um vinculo com o universo feminino e senti a dor das mulheres.

A primeira reação foi de querer me juntar as mulheres que efetivamente vivem situações de abusos para proteje-las e ajuda-las a inverter a situação. Mas logo percebi que iria seguir sentindo a dor caso me conectasse com os homens quando estivessem em um lugar desqualificado e massacrado pelas mulheres.

Passei por sensações físicas como dor de estômago, enjoo e cansaço e por dores emocionais como raiva, tristeza e medo.

Não tinha solução para essa dor, então aceitei, acolhi e permiti que ela se transmutasse.

A transmutação me trouxe o vislumbre da integração mulher/homem.

Nessa integração o caminho inevitável será de olhar para essa conexão/vinculo possível entre mulheres e homens desinstitucionalizados.

O homem passará por um momento muito difícil, pois sempre viveu identificado com a forte instituição masculina. E deixar esse lugar tão conhecido e cômodo para viver em um não-lugar, será muito dolorido.

A mulher  também deixará de sustentar o lugar de poder do homem, inclusive as feministas que na polarização com o homem, fortalece esse lugar fixo e preestabelecido do machismo.

Sendo assim, a mulher também terá que sair de um lugar conhecido e entrar no vazio, no não-lugar.

Será dolorido para todos, para os homens que ficarão perdidos por não terem um lugar a ocupar e para as mulheres que com o fortalecimento de sua força reativa poderia ter a oportunidade da vingança, mas deixará passar essa chance, não por compaixão, mas por inteligência, sobrevivência e criação de um novo modo de vida.

Não teremos mais lugar para ocupar, nem de macho, nem de fêmea, nem de algoz ou vitima, vamos adentrar o vazio da criação.

Será dolorido, mas não necessariamente sofrido.

Mulheres poderão parir esse outro modo de vida.

Homens poderão dar a energia para essa criação.

E crianças poderão viver em um meio ambiente a favor da vida!