A MINGUANTE E O VAZIO!

Eu, particularmente, não gosto de festa de ano novo.

Sinto que é uma festa tensa, com muitas expectativas e uma certa histeria.

Por outro lado, gosto muito de celebrações e de estar com pessoas conhecidas e desconhecidas, festejando, dançando e convivendo.

Sendo assim, para diluir a tensão da noite do 31, por aqui, fazemos uma semana de festa, começando com os familiares preparando a casa para ao longo desses dias, receber amigos, amigos de amigos e desconhecidos futuros amigos.

Com a tensão e as expectativas diluídas, as celebrações vão acontecendo e a ilusão de mudança de vida vai ganhando espaço nas promessas, nos desabafos, na esperança de que o próximo ano será melhor.

Porém ontem, uma amiga me disse que nesse ano novo não é o momento de pedir nada, mas de entregar, pois estamos na lua minguante.

Segundo minha amiga, todo pedido feito nessa lua irá minguar.

Então melhor aproveitar e pedir aquilo que realmente queremos ver minguando.

Nada melhor do que perder para ganhar espaço e leveza.

Nada melhor que o vazio para gerar um campo criador.

Que essa lua minguante presente em nossas celebrações nos incentive a perceber a mera aparência de todas as coisas, nos encorage a perder, entregar, ceder, esvaziar, sentir-se tão pequenininho que só nos restará a contenção para criação de relações saudáveis e alegres.

E por falar em entrega, esses dias me dei conta que é fácil confundir entregar-se com abandonar-se.

Entregar-se para um abraço não é abandonar o corpo para que o outro o abrace.

Entregar-se é ação ativa, como diz Mario Quintana “coração com coração cercado de braço”.

Que essa lua minguante nos esvazie para nos entregarmos para todos os braços e corações presentes em nossas vidas.