AMALAYA | INCOMUNICABILIDADE!
15767
post-template-default,single,single-post,postid-15767,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode-theme-ver-9.5,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12,vc_responsive

INCOMUNICABILIDADE!

Diz o dito anti-popular: “é conversando que a gente se desentende”, o poeta também canta: “eu to te explicando pra te confundir”, e muitas outras manifestações artísticas e emocionais nos apresentam o grande engodo das relações humanas: a incomunicabilidade.

Se olharmos para as nossas relações, das mais intimas às mais sociais, vamos reconhecer o quanto o outro não nos entende, ou o quanto parece impossível compreender o outro, a não ser que todos nos resignamos a viver de modo previsível e permanente de acordo com as regras sociais e culturais de cada lugar, ou seja, fazer da vida uma representação de personagens estéreis e pobres.

Nos deparamos com a dificuldade de falar de modo claro e sincero com o outro, mesmo que esse outro seja de grande intimidade, como pais,filhos, amantes ou amigos.

Assim como dificultamos a possibilidade do outro nos falar sem filtros.

E muita dessa dificuldade vem em não sabermos o que queremos comunicar.

Esse texto não é para incentivar que as pessoas comecem a falar por ai suas “verdades” de modo inconsequente, seja lá para quem estiver disposto ou não a escuta-las, muito pelo contrario, pois isso não passaria de mais uma ilusão aumentando o campo da não-comunicação.

Não vamos resolver essa questão tão antiga da incomunicabilidade soltando o verbo.

A trama é mais complexa e sutil.

Estou chamando de comunicação a capacidade de expressar a perspectiva singular que cada um é capaz de produzir, sem precisar que o outro a valide ou a destrua.

A comunicabilidade precisa mais de escuta do que de fala, é mais receptiva do que ativa.

Paradoxalmente, quem da valor ao discurso é o ouvido.

Uma escuta não pode estar em busca de conhecimento, de explicação, de salvação.

A escuta abre portas para a própria singularidade, levando o ser a uma maior intimidade consigo.

É melhor manter a própria duvida do que adotar a certeza do outro. Aderindo a certeza do outro o ser se afasta do caminho da criação. A duvida pode ser a capacidade constante de gerar perguntas que como impulso geram novas sinapses ampliando a capacidade perceptiva.

Sendo assim o caminho é indireto, onde desenvolver a capacidade de escuta remete a percepção de si próprio, podendo criar uma expressão singular de sua perspectiva e nunca uma verdade absoluta, possibilitando a comunicação precisa que nos levará a encontros potentes. Tendo em conta que a comunicação não é exclusividade da fala, até dizem que sua maior força está nas imagens, assim como no toque, no olhar, nas expressões artísticas, no convívio, no contato…

Somos seres que dependemos da comunicação para sobreviver, todo ser autopoietico se cria através das relações, que por sua vez depende de comunicação.

Arrisco dizer que a incomunicabilidade está sustentada pela batalha diária em busca do pertencimento, onde condicionamos nossa capacidade de expressão e de comunicação, mesmo que esse seja um modo de vida sofrido.

Para desinvestir a necessidade de pertecimento é preciso recriar o vinculo primordial, uma capacidade nata do ser vivo.

Apesar do vinculo primordial ser tão promissor, nos parecerá impossível ativa-lo pois para isso é necessário perder muitas coisas já conquistadas.

Talvez seja necessário uma mente paradoxal para seguir nesse caminho, onde grandes perdas estão sempre vinculadas a grandes ganhos.

Mas essa não é uma verdade absoluta, é somente a minha expressão convidando sua escuta a criar sua expressão própria!