AMALAYA | O DESPERDÍCIO DA AUTODESTRUIÇÃO!
15720
post-template-default,single,single-post,postid-15720,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode-theme-ver-9.5,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12,vc_responsive

O DESPERDÍCIO DA AUTODESTRUIÇÃO!

Outro dia li esse parágrafo escrito pela filósofa-educadora portuguesa Clara Oliveira:

“Algumas dessas pessoas, contudo, forçam o seu organismo, tentam impor-lhes directrizes de organização não orgânica (como por exemplo: “é importante para mim tirar boas notas”), tentam tornar-se sistemas abertos e assimilar informação exterior, tornam-se verdadeiros depósitos, como diz Paulo Freire, e nós acrescentaríamos…de lixo. E isso não significa que a dita informação não seja de alto nível cultural, mas do ponto de vista do funcionamento interno do sujeito é puro lixo que apenas serve para intoxicar ou poluir. O resultado são pessoas cheia de informações na cabeça, mas com grande dificuldade em compreender, em refletir, e surgem frequentemente distúrbios orgânicos aos níveis afectivos, emotivo e de inter-relação social. (C.C.Oliveira 1999)”

E para que estamos atras de tanta informação? Talvez para nos sentirmos legítimos nesse sistema de ilusões que estamos sustentando.

Uma perspectiva biológica, bem representada por Humberto Maturana, questionou o que poderia ser considerado “ser vivo”, e a resposta que criaram foi que todo ser vivo é aquele que produz a si próprio na ação, e para esse conceito deu-se o nome autopoiéses.

Existem outros sistemas como o alopoiético, que não são considerados sistemas vivos, pois depende de uma ação externa para funcionar e seu objetivo é produzir algo e não a si mesmo, como por exemplo, uma maquina.

Uma maquina existe para produzir algo e para isso precisa de um comando externo.

O sistema vivo existe para produzir-se, por isso ele é um sistema fechado para as informações.

Tanto uma maquina como um ser vivo geram produtos, a diferença é que uma maquina existe para gerar algo e o ser vivo gera algo por efeito, enquanto está em sua autoprodução.

Por exemplo, uma arvore, que é um ser vivo, sendo assim, autopoiético, e por isso sua vida é produzir a si própria constantemente nas relações, e por efeito gera frutos, flores, sombra, madeira, seiva, oxigênio…

Ela não existe para produzir tudo isso, ela existe para se autoproduzir e sua autoprodução gera muitos efeitos que se criam a partir da relação com os outros.

O ser humano é um ser vivo, autopoiético, e sua função é produzir a si mesmo nas relações, e o resto é efeito – o modo como pensa, sente e age através dos acessos que gera, das percepções que ativa e das criações que arrisca.

Parece que o desvio da humanidade é crer-se como um ser alopoiético, uma maquina que precisa de estímulos de fora para agir (salário, expectativa, planos, objetivo, elogios, criticas…), para produzir algo, de preferencia útil para aquele que está dando o estimulo.

Um caminho de autodestruição pela ilusão de que somos um sistema aberto dependente de ações externas. Um desperdício do potencial da existência criadora autopoiética que somos todos nós.